PAULO DIRCEU DIAS

COLUNA PUBLICADA NO SITE "SPORTMANIA"

EM 01.09.2005

SINUCA: REGRAS INTERNACIONAL E BRASILEIRA

QUAIS AS DIFERENÇAS? QUAL USAR?

Em 1930 a indústria de mesas norte-americana Brunswyk se estabeleceu no Rio de Janeiro. No ano seguinte publicou o primeiro conjunto conhecido de regras que orientava a prática dos jogos do bilhar, entre elas as do snooker, jogado com 22 bolas - 15 vermelhas mais as amarela, verde, marrom, azul, rosa, preta e branca -, que era e até hoje é a regra internacional do esporte. Para encurtar o tempo de jogo os brasileiros iniciaram gradativa redução do número das bolas vermelhas e criaram facilidades para a seqüência das tacadas, alterando completamente as regras originais, surgindo então a hoje denominada regra brasileira, conhecida apenas no Brasil. Com isso houve também acentuada perda técnica, só percebida quando os brasileiros decidiram aventurar-se nos campeonatos internacionais, onde, por total desconhecimento das regras e técnicas apropriadas, não conseguiam passar das primeiras etapas.

Constatando essa dificuldade que impedia o crescimento do esporte, também por força da legislação desportiva que obriga o uso das normas internacionais para os esportes oficiais, em 1996 a CBBS - Confederação Brasileira de Bilhar e Sinuca - tornou oficial e implantou no Brasil a regra internacional. Nos poucos anos decorridos os nossos atletas já se destacam em jogos internacionais, com diversos galgando importantes classificações, destacando-se entre eles o Miguelzinho, GO, Campeão Panamericano de Snooker (sinuca), o Noel, PR, Campeão Sul-Americano de Snooker (sinuca) e Fabinho, PR, Vice Campeão Panamericano de Pool (Bola 9).

Entretanto, a imensidão do nosso território ainda impede a divulgação adequada das regras oficiais e no interior dos estados ainda predomina a regra brasileira. Em razão disso, a CBBS reconhece essa regra oficialmente, como complementar, portanto, também podendo ser usada para eventos oficiais, sob normas específicas e com rankings próprios e independentes. Mas, para eventos oficiais, estão impedidos de usar a regra brasileira os integrantes dos rankings oficiais de topo, estaduais e nacionais, e as categorias infanto-juvenil.

Qual delas usar? A internacional ou a brasileira?

Quem pratica a sinuca como lazer, para desconcentração e meio de reunir amigos e familiares, a regra brasileira é excelente, dinâmica e motivadora. Seus praticantes podem também participar de campeonatos oficiais em clubes, salões e academias filiadas às Federações, bem como dos campeonatos promovidos por estas e pela Confederação. Já, aquele jogador que pretende evoluir na prática do esporte não terá outra opção; será obrigado a adotar a regra internacional, que é mais técnica e mais exigente na colocação da bola branca, para conseguir boas seqüências nas tacadas.

Conheça e compare algumas das principais diferenças entre as duas regras:

REGRA BRASILEIRA
REGRA INTERNACIONAL
Mais dinâmica, oferece opção de corrigir uma falha na colocação de branca, por possibilitar jogar a segunda “numerada”, após encaçapar a bola da vez.
De maior apuro técnico, obriga à seqüência de única bola “numerada” após converter uma vermelha e, terminadas estas, à seqüência crescente das bolas 2 até a 7.
O jogo de bolas tem uma só vermelha.
São usadas 6, 10 ou 15 vermelhas, segundo previsto no regulamento do certame.
Permite jogar uma bola numerada para depois visar a bola da vez, na primeira tacada na ação do jogador.
A bola da vez tem que ser a visada na primeira tacada na ação do jogador.
Devem ser cantadas a bola e a caçapa visadas. Quando pretendendo desviar a branca em tabela antes de tocar a bola visada, isso deverá ser cantado.
Apenas a bola visada deve ser cantada, exigência dispensada quando obrigado a jogar a bola da vez. É desnecessário cantar desvios prévios da tacadeira em tabelas.
A penalidade por falta é sempre de 7 pontos.
A pena é igual ao maior valor entre as bolas envolvidas na falta, com o mínimo de 4 pontos.
É vedado jogar bola numerada na defesa.
A jogada de defesa é livre, em qualquer bola na seqüência da tacada.
Não é permitido encaçapar “por telefone” (jogar em uma bola para encaçapar outra).
Entre vermelhas, e estas e uma “bola livre”, é permitido encaçapar “por telefone”.
Retorna ao jogo a bola vermelha convertida com falta.
As vermelhas não retornam ao jogo, mesmo quando convertidas com falta.
Apenas uma bola em cada tacada pode ser encaçapada.
Mais de uma bola vermelha podem ser convertidas, somando-se os pontos.
Na saída a jogada de ataque é vetada e qualquer falta determina a nulidade da ação, obrigando a novo início. A jogada de ataque na saída é permitida e qualquer falta é penalizada.
Não existe a repetição de tacada após falta. Conforme a ocorrência em uma falta, e segundo avaliação do árbitro, o oponente pode exigir que o faltoso volte a jogar, para isso retornando as bolas movimentadas nos seus pontos originais. É o chamado “retorno de jogada”.
Após falta, o oponente pode jogar ou passar a tacada. Conforme a falta cometida e o resultado originado o oponente poderá jogar normalmente, jogar uma numerada qualquer como sendo a bola da vez (“bola livre”), passar a tacada ou, dependendo da ocorrência, solicitar a repetição da tacada do penalizado.
Não é permitido o bi-toque e a condução (“carretão”), salvo quando a branca estiver colada na bola visada. Bi-toque e condução (“carretão”) são proibidos de qualquer forma. Quando a tacadeira está colada à bola visada a tacada deverá afastá-la, sem novo toque.

Além das duas abordadas, praticam-se no Brasil outras modalidades e variações, algumas também oficiais, como o bilhar (carambola) e o pool (bola 8, bola nove e 14x1), e outras populares geralmente identificadas como “sinuquinhas”. Oportunamente serão abordadas nesta seção.

Para mais detalhes sobre as regras consulte as normas completas, disponíveis no site da Confederação Brasileira: www.sinuca.com.br.

CONHEÇA E DIVULGUE:

Auxilie na orientação sobre o esporte, divulgando: embora a prática do bilhar (carambola) seja uma regra específica e tenha as suas próprias modalidades - variações com maiores exigências técnicas para atingir a mesma finalidade, de carambolar a tacadeira em outras duas bolas - por ser reconhecida como a regra primeira, que deu origem à todos os outros jogos de tacos e bolas movimentadas em mesas, usa-se o termo “jogos do bilhar” para identificar o conjunto de todas as regras e modalidades existentes.

Paulo Dirceu Dias
paulo@snookerclube.com.br

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